Petition Tag - cultura

1. Salvem o cine-teatro Éden Park!

O cine-teatro Éden Park, nascido na cidade do Mindelo em 1922 é a mais importante sala de espectáculos da historiografia da cultura cabo-verdiana. Foi dada como certa a sua venda e posterior demolição para a construção de um hotel. Mas ao que parece o negócio ainda não se concretizou. Vamos ajudar a salvar o Éden Park.

2. Propostas dos Artistas de Artes Visuais Contemporânea para um melhor desempenho na ocupação do Centro Cultural Raul de Leoni – Petrópolis/Rj Brasil

Os artistas de Artes Visuais Contemporânea do Município de Petrópolis vêm através deste documento, apresentar a V. Senhoria as propostas do setor para um melhor ajuste das atividades culturais no Centro de Cultura Raul de Leoni, Petrópolis – RJ - Brasil

3. Carta Abierta A Los Medios De Comunicación Cruceños

Los abajo firmantes nos pronunciamos como gestores, productores y consumidores de actividades culturales en Santa Cruz de la Sierra y como ciudadanos en ejercicio reclamando a los medios de comunicación escrita, audiovisual y digital por su derecho a la buena información.

Lo hacemos en el afán de aportar a la construcción de una comunicación con mayor y mejor contenido cultural, que refleje en su debida proporción el abanico de actividades que se desarrollan en nuestra ciudad.

4. ETIOPIA-MEXICO Protect our cultural legacy

Below is attached a brief documentation on cultural relations between Mexico and Ethiopia:

"In the collective memory of the Mexican people, still on remeberance the historic visit that the Emperor of Ethiopia Haile Selassie I made to Mexico in June 1954, gaining the affection and admiration of all who had the opportunity to meet him personally.

This friendly relationship between the two nations came when Ethiopia was attacked by the the Benito Mussulini's fascist forces in 1935, Mexico remains one of the few countries
standing up in the Ethiopia's cause within the congress then called the League of Nations, all this under the legal representation of the Mexican diplomatic Isidro Fabela.

At that time, the Mexican nation ruled by Lázaro Cárdenas ,who showed under him at the time, the firm stance of the nation over the defense of human rights and world peace.

Since that historic visit, between Mexico and Ethiopia, relations were established not only fiendly relationship, but as well as cultural exchanges caried out by the Ethiopian-Mexican Relation Institute. In adition a puclic school was created with name Ethiopia, aslo build was The Ethiopia Plaza, now reduced to a station on the Line 3 of the Mexico City Train Service, wherein June 22 1954 the Emperor unveiled a plaque, that for some strange reasons the where abouts are unkonw at this present time. "(Pive Dread)

5. Proposta para Regularização Fundiária do NÚCLEO COLONIAL ITATIAYA

Procurando contribuir para a continuada preservação do município de Itatiaia, a Associação Amigos do Itatiaia (AAI) tem caminhado em busca de soluções conjuntas para problemas ambientais e sociais comuns e a integração de ações que tragam sinergias tanto na capacidade de manejo dos recursos naturais, quanto no desenvolvimento social.

Fundada em 04 de abril de 1951, a AAI convida os interessados na defesa do meio ambiente e nas questões culturais e sociais a tomarem ciência do estudo para a regularização fundiária da área do Núcleo Colonial Itatiaya, que se encontra inserido nos limites do Parque Nacional do Itatiaia (PNI). O documento na íntegra, com esclarecimentos gerais, fotografias e mapas, encontra-se à disposição no endereço

http://www.oeco.com.br/images/docs/itatiaia_nucleo.pdf

Este documento foi elaborado pelos membros da AAI que colaboraram com pesquisas e fornecimento de documentos, mapas e fotografias históricas. Não tem o objetivo de ser exaustivo nem definitivo. Contribuições ou correções por parte dos interessados e dos Órgãos Públicos são, desde já, bem vindas. Espera-se contribuir para a formação de opinião local e especializada e facilitar, a nível individual e coletivo, um exame lúcido de opções de resposta.

A AAI, tem como objetivo principal agir na preservação da flora, fauna, águas e belezas naturais da região do Itatiaia, cooperando, no que for cabível e possível, com a administração do PNI e demais autoridades competentes. Promover o turismo e, ao mesmo tempo, impedir desmatamentos, depredações, incêndios, caça, poluição do meio ambiente e perturbação da tranqüilidade local, atuando também na divulgação da história e das belezas da região e na organização de conferências, reuniões culturais e exposições artísticas. Compõe o Conselho Consultivo do PNI desde sua instalação, em agosto de 2002; colabora na Câmara Técnica de Pesquisa e de Montanhismo; coordena as Câmaras Técnicas de Acompanhamento do Estudo de Ampliação do PNI e de Gestão de Resíduos do PNI e compõe o Conselho da APA da Serra da Mantiqueira.

A AAI acompanha com críticas, os estudos em curso, sobre a ampliação do PNI; sobre a revisão do seu Plano de Manejo; sobre o incentivo à criação de RPPNs no entorno e sobre a regularização fundiária, pois entende que estes estão sendo conduzidos de forma relativamente isolada e sem uma estratégia sistêmica clara e eficaz.

É importante ter em mente que, o PNI, primeiro parque nacional do país, criado em 1937 e ampliado em 1982, de 11.943 hectares para aprox. 30.000 hectares, tem apenas 30% da sua área regularizada. Fica evidente a necessidade de determinar prioridades claras para a aplicação dos recursos existentes da forma mais eficaz, a fim de garantir a proteção da biodiversidade. Infelizmente, o foco que está sendo dado atualmente à questão, está somente relacionado à presença histórica, desde 1908, de moradores e hoteleiros na área do Núcleo Colonial Itatiaya, inserida dentro dos limites do PNI. Todas as outras áreas do parque, onde o conflito fundiário se soma à agropecuária e constantes queimadas, áreas de grande extensão e vulnerabilidade ecológica, não estão sendo objeto de discussão, gerando questionamentos quanto às reais necessidades de desapropriação de uma pequena área, porém de grande valor econômico.

A origem do conflito reside fundamentalmente no fato de o Decreto que trata da Ampliação do PNI, de 1982, ter incluído em seus limites, lotes do Núcleo Colonial ltatiaya pertencentes a particulares, desqualificados como Parque Nacional, sem que tenham sido sequer iniciados, até o momento, os procedimentos para a desapropriação prevista na legislação. A citada inclusão foi realizada em contradição às indicações do Plano de Manejo, também de 1982, que, com fundamento em detalhados estudos técnicos, propunha a ampliação do PNI com a abrangência de áreas em condições de preservação natural condizentes e recomendava para área dos lotes remanescentes do Núcleo Colonial ltatiaya ainda pertencentes a particulares, a criação de um “Parque Natural” (“São áreas relativamente extensas com paisagens naturais de importância nacional, onde pode ser desenvolvida uma recreação ao ar livre. Estão geralmente próximas de grandes centros urbanos e de principais rodovias. Protegem o meio ambiente em um estado seminatural, englobando quase sempre atividades agrícolas e pecuárias em estado primitivo, onde são incentivadas atividades de artesanato. Os objetivos de manejo da área são o de proporcionar oportunidades para a recreação e turismo em um meio ambiente natural ou seminatural. Essas áreas podem, ainda, contribuir para outros objetivos da conservação, incluindo a proteção da diversidade ecológica, proporcionar oportunidades de educação, controle da erosão e a conservação dos recursos água e ar” – Definição de Parque Natural segundo o Plano do Sistema de Unidades de Conservação – Etapa II, elaborado em 1982, pelo Ministério de Agricultura, IBDF e FBCN). Infelizmente, esta categoria não fora incluída no SNUC, mas a área em questão se enquadra perfeitamente à categoria “Monumento Natural”, tendo em vista seu objetivo básico, definido no artigo nº12 da Lei do SNUC que é: “preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica”: A paisagem natural, recuperada pelos moradores em parceria com as administrações do Parque, é deslumbrante.

O Monumento Natural do Itatiaia terá cerca de 1.300 hectares (4,5% da atual área do Parque Nacional do Itatiaia) e seus limites coincidentes com aqueles propostos para ser “Parque Natural” pelo Plano de Manejo do PNI, concluído em 1982 e vigente até hoje. Ele estará composto por 20% de terras públicas e 80% particulares e abrigará o atual complexo administrativo do Parque e o Centro de Visitantes, além de 5 hotéis e 190 residências.

Alguns esclarecimentos se fazem necessários:

• A integridade do Parque Nacional do Itatiaia não está em risco. A história cultural do Núcleo Colonial do Itatiaya que sofre risco de desaparição;
• Não haverá redução da área do PNI, visto que está em curso o estudo para ampliação do PNI em mais de 7.000 hectares;
• Com uma quantia substancialmente menor do que aquela necessária à indenização de uma centena de imóveis e benfeitorias localizados no Núcleo Colonial Itatiaya, poderiam ser adquiridas área bem maiores, restando ainda recursos que seriam aplicados na efetiva conservação e recuperação de áreas degradadas, dentro dos atuais limites do PARNA Itatiaia;
• A unidade de conservação “Monumento Natural” é do mesmo grupo daquela do “Parque Nacional” nos termos da Lei do SNUC, ou seja, de “proteção integral”, não havendo perda para a conservação ambiental;
• O enquadramento legal através da Lei SNUC para a categoria Monumento Natural, garantem que novas edificações e loteamentos não sejam feitos, havendo controle da entrada de material de construção para os residentes no interior de Unidades de Conservação de Proteção Integral,
• A permanência dos moradores da nova Unidade de Conservação só irá contribuir para sua gestão, tendo em vista a parceria entre os moradores e hoteleiros do Núcleo Colonial e a Administração do Parque para a recuperação e a conservação da área que sempre existiu e foi decisiva para o desenvolvimento do ambiente sadio que hoje conhecemos. Os problemas ainda existentes, tanto nas áreas particulares como nas do próprio Parque, tais como a coleta e a disposição adequada do lixo; o esgotamento sanitário das dependências; a retirada de animais domésticos e de algumas espécies exóticas da flora, serão muito mais facilmente solucionados com a regularização pretendida e regras claras a serem estabelecidas no Plano de Manejo do Monumento Natural, ficando o seu cumprimento garantido pelos Termos de Compromisso Ambiental (TCA) a serem firmados seguindo a implementação do Plano (como o feito e bem sucedido TCA constante do Art.12 da lei nº 12.810 de 28/02/2008, que institui o Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga;
• A Administração do Monumento Natural poderá ser feita pelo mesmo Órgão de Gestão do Parque com o suporte dos respectivos Conselhos Consultivos, o que promoveria uma melhor integração entre as duas Unidades de Conservação. Elas poderiam compartilhar as dependências administrativas hoje existentes, o que economizaria recursos financeiros com novas instalações. O Monumento Natural poderá funcionar como Portal de Entrada e de proteção do Parque Nacional;
• O Centro de Visitantes do Parque, recentemente reformado, continuará cumprindo com sua função informativa e educativa e poderá estar direcionado para incentivar o turismo ecológico da área como um todo. Ficando as instalações administrativas do Parque (sede, centro de visitantes, oficinas, 22 (vinte e duas) residências de funcionários e de pesquisadores), localizadas na área do Monumento Natural, o Parque Nacional ficará mais protegido dos impactos causados por essas construções e pelas atividades inerentes;
• A permanência das propriedades particulares na posse e sob a responsabilidade dos atuais proprietários garante a continuidade dos bons serviços e tradição, e o permanente cuidado com a natureza, conforme verificado sucesso da grande maioria das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs);
• Preserva a memória cultural, histórica e científica do Núcleo Colonial Itatiaya e do PNI, patrimônios dos brasileiros, como testemunha da exemplar convivência entre o homem e o meio ambiente e da coalescência e complementaridade entre natureza e cultura;
• Não há sentido em desapropriar para seguidamente as mesmas propriedades serem direcionadas para a concessão à iniciativa privada e casas para funcionários e abrigos. O PNI sempre se destacou dos outros Parques Nacionais Brasileiros justamente pela enorme qualidade e quantidade de estruturas administrativas. Ainda assim, possui abrigos que se encontram inabitáveis, depredados e abandonados, devido à falta de funcionários para este fim;
• Desonera a União de significativo dispêndio de recursos financeiros para desapropriação dos imóveis particulares, recursos esses que podem ser aplicados na conservação e recuperação do meio ambiente, no apoio ao turismo ecológico, na infra-estrutura do Parque e outros; e
• Não há processo jurídico complexo, custoso, demorado e penoso, tanto para o governo como também para os proprietários e suas famílias.

Estamos absolutamente cientes da complexidade do assunto, e por isso pensamos que uma discussão conjunta de alternativas será a melhor forma de salvar as divergências e discussões sobre a proteção ambiental e seus reflexos sócio-econômicos. Buscamos convergir e integrar ações e interesses, visando potencializar o ganho ambiental em longo prazo.

6. Carta da Dança à Jandira Feghali

INICIATIVAS PARA A DANÇA REALIZADAS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA RJ (ANOS 90 / 2000):

Este documento consiste em um breve relatório sobre as políticas culturais para a dança implementadas pela Secretaria Municipal de Cultura nas últimas duas décadas, sobretudo a partir de meados dos anos 1990 até meados dos anos 2000, momento a partir do qual assistimos sua paulatina desarticulação. Nos últimos anos, o contexto de produção artística da dança carioca sofreu significativas mudanças, o que torna as informações abaixo apenas uma referência para um indispensável esforço de revisão e atualização.
Grande parte dos dados para o presente resumo foram obtidos através da consulta à dissertação de mestrado do Sr. Leonel Brum (atual Coordenador de Dança da Funarte).
É importante informar que as políticas culturais da Secretaria Municipal de Cultura foram elaboradas e executadas pelo Instituto Municipal de Arte e Cultura, o RioArte, braço executivo da Secretaria, o qual existiu de 1977 até 2006, quando foi extinto através de um decreto do prefeito César Maia.

1) PROGRAMA RIOARTE DE SUBVENÇÃO À DANÇA CARIOCA (1995 -2005)
Este programa do Rioarte visava a manutenção do trabalho continuado de coreógrafos e bailarinos cariocas através de subvenção anual às companhias de dança residentes e ativas na cidade.
O programa iniciou-se com três companhias: Companhia Regina Miranda de Atores-Bailarinos, Companhia Carlota Portella - Vacilou Dançou e a então recém-fundada Companhia de Dança Deborah Colker. Em 2000, a subvenção foi ampliada de sete para onze companhias, porém a verba diminuiu. O resultado dessa redistribuição significou a redução da quantia anual recebida pelos grupos antigos de R$ 80 mil para R$ 50 mil. Este número cresceu até alcançar treze companhias subvencionadas em sua fase final de existência, entre 2003 e 2005 (no entanto, como dito anteriormente, nem sempre aumentando proporcionalmente o montante de verba do projeto). Em sua última fase cada cia. chegou a receber 60 mil reais por ano, o que significava um orçamento total de 780 mil reais para o projeto como um todo.
Em 2005, com atrasos cada vez maiores na liberação das verbas, o programa foi extinto pelo Rioarte, com a promessa de relançá-lo sob um formato “mais abrangente”. As treze companhias apoiadas então eram: Trupe do Passo (Duda Maia), Companhia Steven Harper, Companhia de Dança Dani Lima, Companhia de Dança Márcia Rubin, Paula Nestorov Companhia, Ana Vitória Dança Contemporânea, Renato Vieira Companhia de Dança, Companhia Carlota Portella – Vacilou Dançou, Staccato Companhia de Dança (Paulo Caldas), Dupla de Dança Ikswalsinats (Frederico Paredes e Gustavo Ciríaco), Márcia Milhazes Dança Contemporânea, Os Dois Companhia de Dança (Giselda Fernandes) e Esther Weitzman Companhia de Dança.
Além da verba, que permitia o pagamento de salas de ensaios e de salários aos profissionais envolvidos, chegou-se a insinuar em determinado momento uma política diferenciada para essas companhias no que diz respeito à preferência em pautas em teatros municipais (como Espaço Cultural Sérgio Porto, Teatro do Jockey e Teatro Carlos Gomes) e apoio para divulgação de seus espetáculos.
A maior parte das companhias subvencionadas era formada por artistas que surgiram na cena carioca ainda nos anos 90, sobretudo através do Panorama de Dança. A estabilidade (relativa) proporcionada pela subvenção permitiu a estes grupos se estruturarem profissional e artisticamente. Dentre os grupos que foram apoiados pelo programa, destacam-se Lia Rodrigues Companhia de Danças e Cia. de Dança Deborah Colker, as quais trilharam enorme sucesso dentro e fora do Brasil, sendo posteriormente apoiadas por outras instâncias fomentadoras.
O Programa de Subvenção foi acompanhado por um boom de companhias criadas a partir da segunda metade da década de noventa. Além das companhias apoiadas, como a Dupla de Dança Ikswalsinats (surgida em 1995), Paula Nestorov Companhia (surgida em 1996), Ana Vitória Dança Contemporânea (surgida em 1996), Trupe do Passo (surgida em 1997), Companhia de Dança Dani Lima (surgida em 1997) e Esther Weitzman Companhia de Dança (surgida em 1999), nesse período ainda surgiram as companhias Tabula Rasa Dança Contemporânea (Henrique Schüller), Companhia Lúmini (Sérgio Machado), Grupo Tápias Companhia de Dança (Giselle Tápias), Arquitetura do Movimento (Andrea Jabor), AMCD - Andrea Maciel Cia. de Dança, Paulo Mantuano Companhia de Dança, Cia. Ra Tame Tanz (Alexandre Franco), Cia. Movimento e Luz (Ivana Menna Barreto), Tanzhaus (Toni Rodrigues) e Pulsar Cia. de Dança (Thereza Taquechel); os primeiros trabalhos de coreógrafos que depois teriam suas próprias companhias, como Alex Neoral (Focus Cia. de Dança) e Carlos Laerte (Laso Cia. de Dança); e criadores independentes como Paula Águas, Helena Vieira, Michel Groisman, Marcela Levi, Cláudia Müller, Denise Stutz, Verusya Correa, Cláudia Petrina, entre outros. Na mesma época, companhias como a de Lia Rodrigues e de Deborah Colker iniciaram expressivas carreiras internacionais.

“O Rio funciona hoje como o melhor exemplo de que cidade onde existe política cultural é diferente. As duas gestões de Helena Severo na Secretaria Municipal de Cultura resultaram numa ação de apoio permanente à dança, cujos resultados já são mais que visíveis: as companhias cariocas passaram a ocupar um lugar de destaque no Brasil, inundando todos os festivais e voltando a educar o seu público com temporadas freqüentes nos teatros da cidade”.
Helena Katz (11/08/1998), crítica de dança do jornal O Estado de São Paulo

2) PANORAMA DE DANÇA (1992 - )
Evento criado por Lia Rodrigues, o Panorama da Dança Contemporânea teve sua primeira edição no Espaço Cultural Sérgio Porto, reunindo treze grupos cariocas em 1992.
Em 1997, o festival entrou para o calendário oficial da cidade, sendo adotado pelo RioArte, o que significou um aumento de verbas e a sua transferência do Espaço Cultural Sérgio Porto para o Teatro Carlos Gomes, passando a se chamar Panorama RioArte de Dança.
Em 2004, a parceria com a Secretaria Municipal de Cultura foi descontinuada. Na época, a Prefeitura contribuía com um terço do custo total do festival (no ano de 2003, o orçamento geral do festival foi de R$1.000.000,00) e cedia os teatros Sérgio Porto e Carlos Gomes, mas atrasava em vários meses a liberação das verbas. O restante do custo (2/3) do festival provinha dos parceiros nacionais (SESC RJ, SESC SP e Funarte, entre outros) e internacionais do festival.
Em 2006, Lia Rodrigues deixou a direção do festival, assumida por Nayse Lopez e Eduardo Bonito desde então.
O Panorama de Dança abrange apresentações de espetáculos, performances e work-in-progress nacionais e internacionais, além de atividades paralelas como workshops, debates e lançamento de livros. Iniciativas como a Mostra Novíssimos Coreógrafos, residências com criadores, diálogos (como o Springdance Dialogues, em 2002), projetos de intercâmbio, delineando uma política de festival que potencializou o surgimento de novos artistas e projetos na cena carioca e nacional.
Parcerias com instituições como British Council, Goethe Institut, Consulado Geral da França, Aliança Francesa, e Festival Danças na Cidade de Lisboa / Portugal, permitiram trazer ao festival companhias internacionais e levar a países como Inglaterra, Alemanha, EUA, França e Portugal espetáculos e criadores brasileiros. Parcerias com algumas instituições e festivais estrangeiros também permitiram a realização de projetos de colaboração entre artistas brasileiros e de outros países, como o Projeto Encontros Brasil/Lisboa 2005/2006 e o projeto coLABoratorio, que reuniu 20 artistas da Europa e da América do sul, entre 2006 e 2007 para a realização de criações conjuntas.

“A dança realiza-se hoje como uma das principais manifestações culturais da Cidade do Rio de Janeiro. Festivais, Encontros, Companhias de Dança, a todos a Secretaria Municipal de Cultura, através do RioArte tem dado especial atenção, dentro de sua política de incentivo, fomento e apoio às Artes.
O Panorama RioArte surge como uma vitrine desta política. O público do Rio terá a oportunidade de assistir a uma programação diversificada com espetáculos inéditos de companhias subvencionadas pela prefeitura além de outros grupos de dança contemporânea cariocas, de outros estados e países. Os profissionais do Rio poderão vivenciar intenso intercâmbio com outras companhias através de workshops e palestras. Realiza-se o Panorama RioArte de Dança 1997, pensa-se no próximo, vê-se o evento fazendo parte do calendário oficial da Cidade do Rio de Janeiro firmando-se como a capital nacional da dança”.
Helena Severo, Programa Panorama 1997

“Desde sua primeira edição, o Panorama mudou de formato, fortaleceu o relacionamento com os parceiros no Brasil e no exterior e saiu da dependência financeira das estruturas municipais para sua atual forma de financiamento, via leis de incentivos federais e estaduais. As empresas parceiras entendem que a combinação de espetáculos menos comerciais, com excelência artística e preços populares é não só viável, como garante mais acesso à arte e maiores possibilidades de integração com diversos públicos da cidade. Uma grande parte do financiamento do festival vem também de institutos, fundações e organismos de fomento internacional, numa confirmação da credibilidade e relevância que o Panorama alcançou no mundo”.
Programa Panorama 2006


3) PROGRAMA DE BOLSAS RIOARTE (1995 - 2004)
Bolsa destinada a pesquisadores, artistas, autores e técnicos com projetos de interesse cultural para a cidade do Rio de Janeiro nas categorias: Artes cênicas (dramaturgia e cenografia), Música (composição), Artes visuais (artes plásticas, fotografia e vídeo), Dança (coreografia). Literatura, Arte e Tecnologia.
A Bolsa, com validade de seis ou doze meses, pagava R$ 1.500 mensais a cada contemplado. Ao longo de sua existência, passou por modificações, como a setorização geográfica das bolsas em cinco áreas de planejamento do Rio, buscando diminuir a concentração de bolsas contempladas na Zona Sul, e a divisão dos candidatos entre Notório Saber e Iniciante. Tais mudanças foram muito criticadas na época em função de preterir critérios de pertinência qualitativa dos projetos em prol de critérios sócio-geográficos, no caso da primeira, e por diminuir a importância de comprovação de carreira na segunda.
Nomes da dança carioca como Esther Weitzman, Frederico Paredes (em parceria com Gustavo Ciríaco), Roberto Pereira, Sílvia Soter, Dani Lima, Paulo Caldas, entre outros, desenvolveram projetos de pesquisa através desta bolsa.


4) PRÊMIO RIODANÇA (1999 - 2000)
O Prêmio foi uma das iniciativas realizadas em conjunto pelo Comitê Carioca de Dança (ver abaixo) com a Secretaria Municipal de Cultura. Consistiu em um prêmio anual oferecido aos que se destacaram nas produções de dança do Rio de Janeiro. O vencedor de cada categoria (bailarino, bailarina, coreógrafo, figurinista, cenógrafo, iluminador, trilha sonora, produtor e categoria especial/evento) recebia R$ 3 mil. Apenas duas edições.

“Um prêmio exclusivo para a dança, inventado e julgado por profissionais de dança. Num país onde essa área vem sendo tratada a reboque de outras, em iniciativas semelhantes, a notícia ganha ares de alforria”.
Helena Katz “RioDança anuncia premiados no dia 6” (O Estado de São Paulo, 15/03/99)


Nota: COMITÊ CARIOCA DE DANÇA (1998 - 2000) - Eleita por artistas, pesquisadores e estudantes da dança carioca, esta comissão (Angel Vianna, Gatto Larsen, Gilda Almeida, João Saldanha e Leonel Brum) foi responsável por vários projetos de política cultural junto aos órgãos governamentais das esferas municipal, estadual e federal. Em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, lançou o projeto RioDança, que previa quatro vertentes de ação: Subvenção a Companhias, Projeto Memória da Dança, Prêmio Riodança e a criação de um Centro Coreográfico.

“Ao se pensar em políticas públicas para a dança no Brasil, a cidade do Rio de Janeiro surge como um exemplo a ser considerado. A dança desta cidade revitalizou-se a partir da atuação da ex-Secretária Municipal de Cultura Helena Severo (1992 a 1999).
A competência administrativa de Helena Severo tem fundamento em pontos indispensáveis. O primeiro diz respeito à atitude de estabelecer e manter um diálogo constante com a classe da dança, organizada através do Comitê Carioca de Dança. Assim, não instituiu uma política à revelia, mas voltada aos anseios da categoria”.
Jussara Janning Xavier, “A política da dança nos anos 90 em Florianópolis” (http://idanca.net, 23/03/2005)

“Felizmente, há outros entendimentos a respeito de como realizar uma política cultural para a dança, como demonstra Helena Severo à frente da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Como resultado direto de sua atuação, a dança feita no Rio de Janeiro voltou a ocupar lugar centreal na produção brasileira.
Também lá, nasceu o Comitê Carioca de Dança, responsável por uma mobilização importantíssima da classe de dança em todo o País. O comitê realizou uma exposição sobre memória e entregou o pedido para a criação de um Centro Coreográfico – que a secretária garante que será atendido durante o ano que se inicia em breve”.
Helena Katz, “Balanço 1998” (O Estado de São Paulo, 28/12/1998)


5) PROJETO MEMÓRIA DA DANÇA (1998 - 1999)
Mais outra iniciativa realizada em conjunto pelo Comitê Carioca de Dança com a Secretaria Municipal de Cultura. O principal evento foi a exposição Imagens da Dança, no Centro de Arte Helio Oiticica, que exibiu fotos, documentos, figurinos, maquetes, partituras e acessórios relacionados à história da dança carioca no século XX.

“Pela primeira vez, tudo isso será oferecido ao público - um material capaz de reconstruir exatamente o que toda atividade cênica logo perde: a memória. Tratada no País como a arte do descartável, a dança conquista, com um empreendimento desse porte, o direito à sua história. É como se lhe fosse concedido o mérito da respeitabilidade”.
Helena Katz (O Estado de São Paulo, 11/08/98)



6) CIRCUITO CARIOCA DE DANÇA (1998 - 2003)
Projeto criado pelo RioArte, coordenado por Thereza Rocha (então diretora da divisão de dança do Rioarte), buscava oferecer uma mostra da produção carioca de dança e proporcionar visibilidade às companhias. O Circuito começou com 22 companhias que, durante três meses, apresentaram-se nos palcos dos teatros Carlos Gomes, Delfim, Glória e Espaço Finep para um público de 9.600 pessoas. No ano seguinte, o evento foi ampliado em direção à zona Oeste e Leopoldina, levando 20 companhias de dança para se apresentar nas Lonas Culturais desses locais.

7) DANÇA EM TRÂNSITO (2002 - )
Versão carioca da rede internacional Ciudades que Danzan, que busca o encontro entre a dança e os espaços públicos urbanos, teve a primeira edição dentro do III Circuito Carioca de Dança, mas se tornou um evento independente, coordenado desde o seu surgimento pela coreógrafa Gisele Tápias. Inclui apresentações de grupos nacionais e internacionais, oficinas e palestras.

8) CENTRO COREOGRÁFICO DA CIDADE DO RJ (2004 - )
A criação de um Centro Coreográfico era um projeto antigo da classe da dança carioca, e um dos projetos defendidos pelo Comitê Carioca de Dança junto à Secretaria Municipal de Cultura. Ocupando uma antiga fábrica de cerveja na Tijuca, o Centro é dirigido desde a sua inauguração por Regina Miranda. Possui salas de ensaios, teatro, sala de exposições, biblioteca, auditório e apartamentos para coreógrafos visitantes. Entre 2003 e 2004, o Centro Coreográfico publicou a revista Gesto, com artigos e ensaios sobre dança.

“O Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro é um espaço para a pesquisa, criação, desenvolvimento, apresentação, documentação e difusão da arte da dança, integrado ao movimento artístico e cultural do país e do mundo. Aberto a todas as camadas da população, promove a inclusão social, a diversidade e a qualidade artística, estimulando a experimentação e o aprofundamento das questões da dança hoje.
O espaço é uma oportunidade para o encontro das diversas vertentes da dança,entre si e com as outras artes, e abre-se a todas as camadas da população, promovendo a inclusão social, a diversidade e a qualidade artística, através do estímulo à experimentação e ao aprofundamento das questões da dança e do nosso tempo. Ele será sempre o lugar daqueles que atendam ao convite e compareçam ao encontro que tem como marca a inquietação do movimento”.
Texto institucional (www.rio.rj.gov.br/centrocoreografico)

9) APOIO A TEMPORADAS DE DANÇA (2002)
No ano de 2002, o RioArte através de sua divisão de dança dirigida por Thereza Rocha, promoveu e defendeu uma política de apoio a temporadas de dança através da expansão das pautas para dança nos teatros e espaços da prefeitura, do aumento das temporadas para 3 semanas ( ao invés das 2 semanas usuais) e designação de uma verba especifica para os custos de produção de cada temporada. O valor girava em torno de R$ 20 mil por companhia. É importante ressaltar que essa política se destinava às companhias não apoiadas por seu programa de subvenção.


ADENDO: Matéria publicada no Segundo Caderno d’O Globo de 09 de novembro de 2006:

O Rio de Pernas pro Ar
(Eduardo Fradkin)

Julho de 1992 pode parecer, hoje, a Idade das Trevas: o esquema PC Farias vinha à tona e implicava o presidente Fernando Collor, a inflação era de 22,4%, e o dólar estava cotado a Cr$ 3.536 (o equivalente a R$ 4,90). No dia 6 daquele mês, começava a primeira edição do festival Panorama da Dança Contemporânea, com 13 produções cariocas, no Espaço Cultural Sérgio Porto. Um evento modesto comparado ao que se inicia amanhã, rebatizado Panorama de Dança, com 23 atrações do mundo todo, em dez endereços. Em sua 15a edição, ele se tornou o maior do gênero no Rio. Mas, antes que alguém se apresse a dizer que a cena melhorou, é bom lembrar que naquele entrevado mês de julho de 1992, apesar da crise, os cariocas viram também o Dança Rio Festival, nos Arcos da Lapa, com 34 companhias brasileiras, e, poucos dias antes, deslumbraram-se com as atrações internacionais do Carlton Dance Festival e com a IX Mostra de Novos Coreógrafos, da (então) autarquia municipal RioArte. A dança ia bem das pernas. Ia?

- Muitas das ações públicas para a dança, daquela época, foram desfeitas - critica a coreógrafa Lia Rodrigues, que se afastou este ano do Panorama após coordená-lo desde o surgimento, quando era apoiado pelo RioArte. - Hoje, a prefeitura é campeã de projetos extintos ou esvaziados. Mesmo o Centro Coreográfico (único que restou) tomou um rumo totalmente diferente do inicial, quando eu e João Saldanha estávamos envolvidos na sua concepção.

O RioArte, de fato, foi esvaziado e hoje se chama Subsecretaria de Arte e Cultura. Além de manter o Centro Coreográfico, o órgão co-patrocina eventos esporádicos como o Festival Tápias. No seu site, ainda estão listadas 13 companhias às quais dá subvenção. Na verdade, dava.

- Acabou no ano passado. A explicação que recebemos era que o projeto de subvenção seria refeito e voltaria num novo formato, melhor e mais abrangente, no fim daquele ano. Até agora, nada - resume a coreógrafa Dani Lima, uma das antigas beneficiárias, assim como a colega Márcia Milhazes, que também reclama da falta de patrocínios.

O próprio festival Panorama de Dança chegou a carregar o nome RioArte durante alguns anos. A parceria com a prefeitura foi desfeita em 2004, devido a atrasos nos repasses de verbas e pagamento de valores abaixo dos que haviam sido combinados.

- Decidimos buscar financiamento através das leis de incentivo fiscal. Hoje, 60% do orçamento vêm de empresas brasileiras. A Petrobras e a Telemar investem pela lei do ICMS. A Funarte e a Caixa Econômica, diretamente. O Sesc e o Teatro Municipal co-produzem alguns espetáculos. Os 40% restantes vêm de instituições internacionais. Conseguimos R$ 700 mil para esta edição. Desde que rompemos com a prefeitura, o orçamento cresceu cerca de 30% - festeja Nayse Lopez, que assumiu a curadoria com Eduardo Bonito, pela primeira vez sem a parceria de Lia Rodrigues.

Artistas pedem apoio contínuo e não só para espetáculos

No início da década de 1990, em pleno governo Collor, no qual as artes (sobretudo as cênicas) foram tratadas com descaso, os bailarinos nem cogitavam pendurar as sapatilhas. A coreógrafa Regina Miranda, participante da primeira edição do Panorama de Dança, dirigia o Fórum de Dança Contemporânea do MAM, que teve duas edições. Lia Rodrigues estava envolvida com o Olhar Contemporâneo, promovido pela Funarte (órgão federal).

- Isso foi muito importante para que eu percebesse a importância, naquele momento, de se ter um espaço de encontro com outros artistas. Éramos vários coreógrafos independentes e companhias cariocas trabalhando sem espaço para mostrar suas criações - diz ela.

O coreógrafo João Saldanha, que trabalhou com Lia na elaboração do Olhar Contemporâneo, afirma que persiste até hoje o problema de falta de espaços para que se mostre a produção artística da cidade:

- Ainda há poucas salas de apresentação para as artes, incluindo a dança. Sem salas, não há mercado de trabalho. O Panorama mostra a necessidade desses espaços.

Outra reclamação recorrente, embasada pelos órfãos do RioArte, é a carência de apoios (patrocínios, aportes ou outros sinônimos) para a manutenção das companhias de dança. Para Lia, a gestão da secretária municipal de Cultura Helena Severo, entre 1993 e 2000, foi um oásis nesse deserto.

- As companhias não sobrevivem sem apoio para as suas atividades cotidianas. Não adianta patrocinar só montagens de espetáculos. Naquela época, as companhias ditavam seus rumos - observa Helena.

7. Sistema de Informação para o Ensino Público do Estado de São Paulo

Considerando a carência de políticas públicas para a área de bibliotecas escolares, que garantam a qualidade dos serviços oferecidos em todas as escolas da rede estadual de ensino e também a pertinência dos acervos disponibilizados, como condição básica ao processo de inclusão sócio-cultural da população estudantil, o Conselho Regional de Biblioteconomia está encabeçando abaixo-assinado para ser enviado ao governador José Serra solicitando a implantação de um Sistema de Informação para o Ensino Público do Estado de São Paulo , a criação de cargos de Bibliotecário e abertura de concurso público para preenchimento desses cargos.